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Cheguei à cidade e procurei a igreja matriz, logo ali na praça central. Igrejinha típica das pequenas cidades do interior, pintura de alguns anos demonstrando os estragos causados pela ação do tempo. Demorei alguns segundos para acostumar os olhos à penumbra interior e, aos poucos, pude divisar os bancos de madeira, o altar bem cuidado, as flores, a Via Sacra ornamentando as paredes, a imagem de São Sebastião, padroeiro da paróquia, algumas pessoas sentadas em silêncio, uma ou duas se movimentando de lá para cá em preparação à santa Missa... Ali permaneci em oração.

Aos poucos as pessoas foram chegando e lotando a igreja. A missa transcorreu normalmente e, ao final, reparei na mesinha ao lado da porta com um cartaz pendurado nela, onde se lia: Pastoral do Dízimo. Sobre a mesa, caneta, um fichário, alguns livrinhos. Atrás dela, duas pessoas sentadas nas cadeiras, conversando animadamente. As demais pessoas saíram, sem pressa, algumas se cumprimentado desejando um bom dia, a paz de Cristo.

Fiz questão de me demorar um pouco mais. Alguém começa a fechar as portas, as duas pessoas da pastoral do dízimo recolhem os materiais, guardam numa caixa, encostam a mesa e as cadeiras num canto e se dirigem à sacristia. “Missão cumprida”, pensei em voz alta demais quando passavam por mim, tanto que uma delas se voltou a disse: -Ãnh?

- “Ah, eu disse que já terminaram a missão de hoje”. E ela, balançando a cabeça em concordância seguiu em frente.

Naquele dia fiquei pensando como existe diferença entre os que as pessoas fazem numa pastoral e o que deveriam fazer e isso me fez pensar: - a palavra “pastoral” não significa uma ação transformadora? Mas, como pode uma pastoral ser transformadora se as pessoas simplesmente se limitam a ficar sentadas, esperando que alguém se ofereça para ser atendida?

Eu acho que o termo pastoral está sendo entendido por nós como “a ação de cuidar do rebanho que está no redil”. Esquecemos que a ovelha perdida da parábola não significa uma, mas muitas... na verdade, a maioria. E que é a elas que deve ser dirigir nossa ação, nosso pastoreio. Aí entra a ação missionária que deve animar a vida pastoral da Igreja e, por conseguinte, a vida das diversas pastorais existentes na nossa Igreja.

Pastoral é a ação da Igreja no mundo e não a ação da Igreja dentro da Igreja! É preciso sair, “jogar as redes em águas mais profundas” ir ao encontro de quem não veio, mas com “um renovado ardor missionário” para anunciar a Boa Nova, pois é pelo conhecimento de Jesus que as pessoas se voltarão à Igreja. É a partir do conhecimento do Cristo que as pessoas começarão a entender o que é ser Igreja e a diferença que existe entre “ser” e “ir à” Igreja. E será nesse contexto que as pessoas começarão a entender a importância de se tornarem dizimistas, pois esse testemunho é fundamental para reforçar a própria fé e servir de incentivo aos irmãos, além de ser a maneira bíblica indicada como fonte de sustentação da Igreja e dos trabalhos que ela deve realizar.

Então, a missão evangelizadora que a Igreja realiza através das pastorais passa a ser fruto, mas também fonte do dízimo, pois é sustentada por ele, mas também é fundamentada pela consciência do “ser Igreja”.

Pode parecer complicado, mas não é. A ação missionária da pastoral do dízimo vai em busca das pessoas afastadas, evangeliza e ajuda na tomada de consciência do que é ser Igreja. Daí, tendo essa consciência as pessoas assumem, entre outras coisas, o dízimo, que vai sustentar a Igreja e toda a sua ação evangelizadora, inclusive a pastoral do Dízimo. É como um “círculo virtuoso”, no qual uma atitude gera o bem e esse bem sustenta novas atitudes iguais... e assim por diante.

Bom, diante disso tudo resta questionar: na sua paróquia a pastoral do dízimo é missionária ou podemos chamá-la de “pastoral da mesinha e cadeira”?

 

 

Fraternalmente, Odilmar de Oliveira Franco

MEAC São Paulo Apóstolo Palmeira – PR

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