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Iniciamos 2012 celebrando 40 anos de história do Meac.

Quantas histórias nestes 40 anos de caminhada!

Cada missionário tem a sua.

Cada um viveu momentos extraordinários, experiências que jamais serão esquecidas.

As manifestações de carinho e reconhecimento de Bispos, Padres e leigos, líderes de comunidades, mostram que valeu a pena a iniciativa lá atrás, quando “ninguém ousaria pensar em formar um grupo de leigos para sair evangelizando de cidade em cidade, sendo que só mais tarde, bem mais tarde, a Igreja incentivaria iniciativas semelhantes”, como nos dizia um bispo.

Dentro desta caminhada, um destaque para a “Pastoral do Dízimo”, iniciada em 1982. Trinta anos de experiência em mais de 3.650 paróquias no Brasil, centenas de comunidades em diversos países, trazendo de volta à Igreja a mais genuína forma de contribuição das famílias para participar efetivamente do projeto de Evangelização da Igreja. A inspiração para esta retomada do dízimo nasceu dentro da Igreja, com nossos bispos sensibilizados com as lutas de cada padre em suas paróquias preocupados em fazer o melhor trabalho, com as menores possibilidades, com os mais escassos recursos. As contribuições espontâneas e as taxas sugeridas por ocasiões especiais como casamentos, batizados e outros serviços solicitados à Igreja não correspondiam às reais necessidades na maioria das paróquias. Em algumas, ainda assim é até hoje. Os bispos indicam o caminho, dão as diretrizes para fazer do dízimo um ato de Amor a Deus. E é lá em 1982, mês de abril, que o Espírito sopra dentro do Meac, acontece a experiência do dízimo, aos pouco toma corpo e se espalha pelas comunidades, completando 30 anos de história com respostas definitivas para o coração dos que buscam sinceramente manifestar sua gratidão a Deus. Na conscientização feita em cada comunidade, cada pessoa descobre a forma e sente o momento de viver a experiência da consagração do seu “dízimo”, o que com sinceridade e generosidade decide entregar na Igreja onde participa e é alimentado espiritualmente. Como aconteceu com o Sérgio. Homem correto, gerente de banco dedicado, sempre pautado pelos princípios do trabalho honesto. Por causa disto, os bons resultados em seu trabalho incomodam, e talvez a inveja tenha sido a causa de sua demissão. Ele não se incomoda, apesar da grande preocupação da esposa. Meses antes tinha estado em visita ao Santíssimo Sacramento lá no Sacrário daquela Igreja histórica. Ajoelhado rezando, dá-se conta da precariedade dos bancos da velha igreja. Em seu coração vem a cobrança, como poderia esta igreja ter bancos bons, estar mais bem conservada se nós os católicos não contribuímos? Começou dando seu dízimo generoso. Agora, apenas alguns meses depois desta bela iniciativa, que trouxe paz no seu coração e alegria na sua vida, a experiência inesperada e fatal do desemprego com todas as consequências da idade e a dificuldade de oportunidades de novos empregos. Aparece a oportunidade de comprar um barco, viver do turismo, vocação do lugar. Lança mão de todos os recursos da indenização, começa do zero e vai refazendo de forma extraordinária sua vida, ganhando muito mais agora e com muito mais prazer. Mas por pouco tempo. Uma tempestade na noite e seu barco é arremessado sobre as rochas não sobrando nada. Sem reservas financeiras, agora só restava-lhe a certeza que sempre poderia começar de novo. Mas seu compromisso assumido naquele dia, na intimidade, ele com sua consciência diante de Deus, deste não abriria mão, lá estava ele todo mês consagrando seu “dízimo”. E agora, alguns anos depois ele está me contado sua história de sucesso, dando testemunho de sua fidelidade a Deus.

“Quando vi meu barco todo espatifado nas rochas pensei, agora está tudo acabado. Mas logo me veio à mente que Deus sempre pode estar nos mostrando outro caminho, outra solução que só vamos enxergar se mudarmos a direção do nosso olhar. Precisava continuar, mas como? Um amigo soube do acontecido e me disse que procurasse a Caixa Econômica. Impossível com minha ficha, eu jamais aprovaria como gerente de banco uma ficha igual a minha, mas nem para comprar uma lancha quanto menos um barco. Mas fui e pedi um grande empréstimo, para um barco muito maior e melhor. Aprovada a ficha sem nenhuma restrição, inacreditável! Comprei o barco que hoje você conheceu, faço o trabalho como você viu, com minha esposa, com meus amigos e dos resultados você agora é testemunha. Eu tenho certeza que sempre fui conduzido pelo amor de Deus. Como posso não manifestar minha gratidão dando pelo menos um pouco de tudo na minha Igreja? O dízimo mudou tudo na minha vida”. Pe. Glênio que já tinha me falado sobre o assunto, estava conosco naquele jantar maravilhoso, e ouvia tudo com ar exultante de alegria pela vida bonita do Sérgio e Marlene.

É apenas mais um testemunho dos milhares que ouvimos nesta nossa caminhada. O dízimo não é um negócio com Deus, é um negócio de Deus, é uma coisa de Deus, querida por Deus, para nos levar a Deus.

Lá em Fernando de Noronha a cada dia Pe Glênio está diante do desafio de evangelizar sem os recursos necessários para aquela realidade. Mas não deixa de fazer o que é possível, sem se lamentar, dando testemunho apenas, contando com Sérgio, Marlene, Cida e tantos outros que já entenderam que toda aquela exuberante beleza natural é infinitamente inferior à beleza interior que nasce da gratidão de cada coração com seu Deus, que tudo criou.

Aquelas Missas rezadas a cada dia às 18hs, lá no alto do morro, na pequena capela de São Pedro, com os turistas que por acaso passam por lá, percebem o movimento, e são logo convidados a participar, ou por pessoas que nos passeios ouviram falar do padre surfista que “celebra uma Missa linda” e vão para conferir. Acabam vivendo uma emoção pessoal como eu e Fernanda vivemos. Pe. Glênio pede para olharmos para o sol se pondo, lindo sol! beijando o mar infinito. Diz: “impossível não agradecer a Deus, não reconhecer Seu poder e grande amor por nós. Cada um faça seu ato de louvor e agradecimento. E agora, o que cada um de vocês querem celebrar nesta hora?” Coisas lindas são ouvidas. O ambiente propicia a voos nas alturas, ao encontro com o criador agradecendo a vida, a oportunidade de estar aí e testemunhar tantas belezas jamais vistas. Permite ainda a cada um descer ao mais profundo do seu íntimo e arrancar de lá qualquer resquício de mágoa ou questão mal resolvida e concluir que não vale a pena alimentar tais sentimentos, pois o Deus da vida nos quer felizes. Agradecimentos, só agradecimentos e celebrações é que se ouve. No final, uma certeza, sem aquele momento, aquela missa, seria como conhecer uma belíssima obra de arte sem saber quem fora o autor.

O dízimo na Igreja é para isso, para que em cada lugar haja alguém dedicado para manifestar o amor e a vontade de Deus para todos. O dízimo é para dar oportunidade para cada pessoa viver o intenso amor de Deus em qualquer parte, em qualquer circunstância, na família, no trabalho, a passeio, nos momentos tristes e nas alegrias. Fica o exemplo: assim como fizeram Sérgio e Marlene, sem ninguém pedir, olhe para as necessidades de sua comunidade.

O Meac, depois de 40 anos continua com esta proposta porque descobre a cada ano que o dízimo continua sendo assunto que incomoda. Incomoda a Igreja quando mal entendido, pode atrapalhar sua missão que é evangelizar, dando a impressão que está interessada em bens materiais, poder e ostentação. Mas incomoda também aos fiéis, que ficam com a sensação de estarem sendo enganados por uma Igreja que “exige” deles o que não deve. No entanto a Igreja quer orientar seus fiéis para que tenham plena certeza e consciência tranquila por manifestarem amor e gratidão a Deus, ajudando a instituição querida por Deus, para levar cada pessoa a conhecê-Lo e ser salva.

Antoninho Tatto