Formação Missionária

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PROJETO DE AÇÃO MISSIONÁRIA

2017-2018

 

 

 

 

 

MEAC SÃO PAULO APÓSTOLO

Unidade Missionária de Dias d’Ávila (BA)

 

Projeto de Ação Missionária 2017-18:

Evangelizar formando pequenos grupos (células) de vivência cristã

 

  1. JUSTIFICATIVA

Jesus veio ao mundo e se entregou totalmente, até a morte na cruz, para salvar toda a humanidade. Ele tinha o mundo inteiro em seu coração.

Para realizar a meta de alcançar o mundo todo, Jesus escolheu uns poucos e dedicou o melhor do seu tempo na preparação daqueles que continuariam a sua missão.

Mas onde estava Pedro quando Jesus o chamou?

Não na sinagoga (igreja), mas pescando. Onde estavam Tiago e João quando receberam de Jesus o convite para segui-lo? Consertando redes à beira do mar da Galileia. Onde estava Mateus quando recebeu o chamado de Jesus? Atrás do balcão onde recolhia os impostos, isto é no lugar do seu trabalho cotidiano.

Isto significa encontrar as pessoas onde elas estão, ficar com elas e ajuda-las e se aproximar de Deus, fazendo delas discípulos missionários.

Jesus não convidou os homens e as mulheres para serem bons indivíduos defensores de uma doutrina ou de uma instituição religiosa. Chama-os para partir com ele na missão da redenção do mundo. Os que fugiram da missão, ele os despediu porque todo discípulo deve ter um serviço, desempenhar um sacerdócio.

Aqui reside o poder evangelizador da Igreja primitiva, a ser retomado nos tempos atuais.

“Ide ao mundo inteiro, proclamai o Evangelho a todas as criaturas” (Mc 16, 15).

“É questionável se hoje a Igreja institucional pode ter um ministério evangélico significativo, usando métodos tradicionais. Se a Igreja contemporânea quiser libertar-se de planos e programas, do apego às instituições estabelecidas e da inflexibilidade e voltar à dinâmica de Igreja primitiva, deve, com seriedade e consciência de si mesma, construir um ministério em torno do grupo pequeno, como sua estrutura básica” (Karl Rahner).

As palavras de um dos maiores teólogos dos tempos atuais são plenamente assumidas pelos mais recentes documentos da igreja e, sobretudo pela palavra segura e insistente do Papa Francisco que deseja “uma igreja em saída, uma igreja missionária, buscando as periferias”.

Tradicionalmente as igrejas proporcionam ajuda se as pessoas vão até elas. O Novo Testamento nos ensina e o Papa Francisco nos lembra quase que diariamente, de todas as maneiras, que é preciso ir até elas e ajudá-las.

Ir ao encontro das pessoas e das famílias onde elas estão, trazê-las para o pequeno grupo, célula de vida fraterna, ajuda-las e descobrir Jesus Cristo e sua mensagem, inseri-las na comunidade maior que é a paroquia: este deve ser hoje o programa de todo missionário e de todo grupo que se dedica à ação evangelizadora por vocação.

Nós, membros do MEAC São Paulo Apóstolo, sentimo-nos questionados a respeito do carisma específico da nossa instituição e da resposta que precisamos dar para justificar nossa pertença a ela.

Fomos chamados a participar da obra de Deus que quer levar Jesus Cristo ao mundo por meio da igreja.

Fomos convidados a ser, na igreja, como leigos, discípulos missionários do Senhor a serviço do evangelho para a edificação e animação das comunidades cristãs.

Renovamos a cada ano o nosso compromisso missionário. Nada poderá justificar permanecermos imóveis, de braços cruzados.

Dóceis aos apelos da Palavra de Deus e dos nossos pastores, examinando a realidade em que vivemos, sob a orientação de um Bispo (D. João Carlos Petrini), que nos chama constantemente para dar prioridade à formação de um grupo de convivência fraterna em família, decidimos assumir, dentro das possibilidades do nosso grupo de Dias d’Ávila, como nosso projeto específico, a criação e assistência de pequenos grupos de convivência cristã como células de uma ação evangelizadora e pastoral muito maior,

Neste projeto pretendemos envolver todos os membros do MEAC São Paulo Apóstolo de nossa unidade de Dias d’Ávila.

 

 

  1. ESTRATÉGIAS PARA A DESCOBERTA DE LÍDERES

    1. Descobrir o "DNA missionário" da igreja. Cada igreja-família é composta por uma constelação única de membros com vários dons, habilidades e experiências, que são os principais componentes do "DNA missionário" da igreja. Outros componentes incluem os recursos físicos e financeiros, o contexto onde a igreja está localizada, sua experiência em pastorais e projetos missionários, e sua paixão por um determinado tipo de ministério (por exemplo, trabalhar com crianças, moradores de rua, mães solteiras, jovens profissionais, viúvas, dependentes químicos, etc.).

A liderança da igreja estimula os membros a refletirem sobre questões cruciais a respeito da identidade da igreja: Quem somos nós como igreja? Deus está nos preparando e chamando a fazer o que nessa comunidade? No mundo? Estamos apaixonados com o que, ou com quem (com qual tipo de trabalho ou público alvo)?

 

    1. Pesquisar a comunidade. Para que a igreja cresça na fidelidade e obediência e participe da missão de Deus, é necessário descobrir as oportunidades que Deus já preparou por ela na comunidade local. O processo começa com uma pesquisa do contexto social, geográfico e político ao redor da igreja.

    1. Uma maneira prática para realizar uma pesquisa na comunidade é realmente andar pelas ruas, observando o povo (idade, raça, nível socioeconômico, situação familiar), a presença ou ausência de serviços (saúde, educação, espiritual, polícia, bombeiros, bem-estar social), a condição das moradias, os recursos da comunidade, e o "humor" espiritual do bairro. Andando pela comunidade, a igreja ora pelas pessoas, pelos seus relacionamentos, e pelo futuro da comunidade.

Visitar outras Comunidades (capelas). É proveitoso visitar outras igrejas para aprender com elas, mas nunca para imitá-las. Em nenhum caso uma igreja deve "importar" o modelo da outra, com a expectativa de produzir resultados semelhantes. Isso é uma receita para decepção, desânimo e até desastre. Além disso, mostra desdém pela forma única em que Deus forma e chama cada igreja-família.

    1. Começar com um projeto "semente". Todas as igrejas estudadas começaram com um pequeno projeto "semente". Depois que a igreja experimentar sucesso em um pequeno projeto com objetivos discretos, ela estará pronta a expandir o projeto ou criar outros. Simultaneamente, os membros são orientados pelas aulas e pelos estudos bíblicos sobre a teologia e a prática da missão integral. O processo de reflexão–ação rende mais fruto quando os participantes se envolvem em um processo dinâmico de "aprender por fazer": aprender os princípios básicos da missão de Deus, aplicar a teoria (ou teologia), refletir sobre os resultados, adquirir conhecimento teórico adicional, testá-lo na aplicação, e assim por diante.

 

    1. Dar tempo! Participar da missão integral de Deus é um modo de vida que requer compromisso em longo prazo, paciência e perseverança para avançar passo a passo. Além disso, o trabalho na comunidade requer que a igreja prepare equipes com a experiência e as habilidades necessárias, obtenha a autorização necessária, e crie uma infraestrutura adequada. Tudo isso leva tempo, e exige muita paciência e compromisso.

    2. Manter a transparência financeira. Os membros têm todo prazer em doar à igreja, mas somente com a confiança de que suas doações estão sendo usadas corretamente. No mundo de hoje, com corrupção desenfreada, até com líderes religiosos de destaque abusando das finanças da igreja, os colaboradores precisam ter a certeza de que seu dinheiro não esteja sendo desviado para o uso pessoal do líder da igreja. É imperativo que a liderança da igreja seja extremamente transparente com todos os recursos financeiros recolhidos e utilizados. Um relatório financeiro fornece uma prestação de contas periódico de como os fundos foram gastos. Acima de tudo, o relatório financeiro destaca como Deus tem graciosamente utilizado os membros da igreja para abençoar outros.

RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES DE UM LÍDER EM POTENCIAL

“Eu realmente não tenho tempo.”

 

Resposta: Têm-se tempo para aquelas coisas que consideram importantes. Compartilhe a importância do aprendizado de liderança no Corpo de Cristo. Fale sobre a oportunidade e o privilégio de ser instrumento nas mãos de Deus para a transformação de vidas que pode acontecer à medida que se aceito o desafio de liderar um Pequeno Grupo.

 

  1. “Eu não tenho o dom de liderança.”

 

Resposta: Encoraje, relembrando que liderança é principalmente a capacidade de influenciar pessoas. Assegure que você fará com que o aprendiz receba treinamento apropriado para sua eficácia como líder.

 

  1. “Eu não gosto de liderar.”

 

Resposta: Neste ponto você precisa apenas descobrir qual o significado pessoal de liderança, pois se corre o risco de ter uma definição de liderança que não seja bíblica. Talvez o aprendiz encare o líder como quem está na chefia e no controle, em vez de alguém que pode facilitar mudança de vida através do cuidado, pastoreio, discipulado e amor aos outros.

 

  1. ETAPAS DO PROCESSO DE ADOÇÃO DE LÍDERES

    1. Jesus identificou o perfil de seus comandados

“Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”

Lendo essa frase de Jesus, no Evangelho de Marcos 1,17, entendo que Ele buscava ajudadores que contivessem duas características: paixão e competência. Sim, era preciso amá-lo e ser apaixonado por Sua obra para segui-lo. E ser competente para alcançar a meta de tornar-se também um pescador de homens.

Pode ser que ao buscar isso entre suas ovelhas ou liderados, um líder não encontre um que seja de modo tão perfeito. Isso porque há níveis diferentes de paixão e competência. Então, as perguntas fundamentais que devem ser feitas durante o processo de escolha da equipe são “onde está o teu coração?” e “qual a tua competência?”. Essa identificação é de extrema importância. Entendo por competência o conjunto de habilidades, unção, conhecimento e experiência de um candidato a líder. Por outro lado, a paixão ou coração são o caráter, a intenção, o compromisso com aquilo a que se dispõe e os valores pessoais do mesmo.

Nas igrejas, em especial, há aqueles que são extremamente apaixonados por uma função, mas não demonstram muita ou nenhuma competência para atuar nela. Como exemplo, poderíamos citar um novo convertido que deseja atuar na Formação. Realmente ele pode ter muita vontade e amor pela obra, mas necessita de cuidados e supervisão constantes para não falhar em seus objetivos. Ele precisa ser preparado, treinado. Da mesma forma, há aqueles que se sentem plenamente realizados atuando no louvor, mas, basta ouvi-los cantar uma vez para saber que, na verdade, eles não têm vocação para o canto fora das quatro paredes do banheiro de suas casas. Em alguns casos, um pouco de técnica resolve. Em outros, não.

Por outro lado, há fiéis entre nós extremamente competentes para ensinar ou cantar, mas que não têm nisso seu coração. Desta forma, o conhecimento é quase vão, a dedicação se torna obsoleta e os frutos do trabalho, escassos. Você já viu ou viveu situações assim? O melhor aí é tentar atrair o coração dessa pessoa, mas sem autoritarismo. Essa atração precisa ser Obra do Espírito Santo, não de homens. Caso essa atração não ocorra, você, como líder, é o encarregado por planejar uma substituição. É preciso que cada um se encaixe de modo perfeito nos ministérios para não falhar. Nem sempre o conhecimento basta.

Por fim, há aqueles que atuam em áreas onde são incompetentes e não têm nela seu coração. Geralmente estão aí por determinação de alguém que “o empurra” – na melhor das intenções. Só que neste caso, só há uma saída: retire-o de lá com urgência. Não tenha medo de abrir lacunas. Faça isso em estado orante e Deus irá prover seus instrumentos de trabalho.

Tenho observado que existe, entre boa parte dos líderes que conheço uma grande dificuldade em dispensar pessoas da equipe, mesmo estando convencidos que deveriam fazer isso. Mas retardar decisões que nos são claras traz consigo um custo pessoal e organizacional invisível, mas real. Digo não somente para o líder, mas também para o liderado e para a organização, que se alguma área está deficiente, seja na competência ou na paixão, é preciso intervir.

Em suma, nesta etapa, então, temos que identificar o perfil necessário de cada função de nossa equipe, comparando com as características de cada participante ou candidato. A tomada de decisão de quem entra ou quem sai não é fácil, mas, quando feita com consciência, será melhor para todas as partes envolvidas. Quem está dentro tem que estar entusiasmado, capacitado, dando frutos e em constante desenvolvimento. Caso contrário, como já disse, talvez tenhamos que remanejar pessoas. Lembra-se de Paulo e Barnabé em relação a João Marcos (At 15,35-41)? Pense bem, respire fundo, e tome a decisão na sabedoria do Espírito Santo.

    1. Jesus selecionou alguns

“Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E, quando amanheceu, chamou a si e os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos.” (Lucas 6, 12-13).

Sinceramente, não vejo outra forma de alcançarmos uma atividade bem sucedida se não pela busca incessante da direção do Pai. Mesmo Jesus, o filho de Deus, o próprio Deus, fez isso. Ele orou antes de formar sua equipe. Um princípio básico, simples e eficiente.

Note também que Ele dedicou-se pessoalmente no processo de escolha dos seus discípulos. Cabe ao líder, o detentor da visão, fazê-lo. E não aleatoriamente. Às vezes falhamos por excesso de sumarização. Jesus foi absolutamente pró-ativo nesta seleção. Conviveu com seus discípulos, caminhou com eles, conheceu seus anseios. Ele pode conhecê-los através de seus relacionamentos e da opinião de pessoas “velhas conhecidas” dos candidatos. Invista tempo conhecendo melhor – e não apenas superficialmente – aqueles que te rodeiam.

Um fato curioso é que muitos seguiam a Jesus e entre as alternativas que tinha à disposição, Ele optou por doze. Confesso que, antes, eu tinha uma visão diferente desse processo de seleção. Imaginava Jesus identificando um a um dos doze e pronto! Contudo, esta narrativa de Lucas mostra que existiam muitos discípulos e que dentre esses muitos, ele escolheu alguns. Isto aponta para alternativas e nos faz pensar que às vezes não enxergamos para além do fulano ou cicrano, mas devemos estar atentos sobre a quem Deus está derramando seus dons. Não que pessoas sejam simplesmente substituíveis, mas insubstituível, no Reino de Deus, ninguém é. Ele sempre levanta operários para a Messe. Errar na formação da equipe pode provocar traumas, tanto nos liderados como também no líder. Pode ser uma experiência tão terrível e desgastante quanto rescindir o contrato de um funcionário.

Outro ponto que considero interessante na atitude de Jesus é que Ele escolheu justamente aqueles que tinham uma ocupação. Para alguns isso é polêmico, mas estou certo que é melhor liderar pessoas engajadas em um determinado trabalho – ou que pelo menos já o foram - do que desocupados. Pessoas trabalhadoras, com certeza, se encaixam melhor no perfil de uma equipe ideal, levando sempre em conta, é claro, que é preciso avaliar o contexto de cada situação. Um recém-formado de uma universidade pode estar desempregado por um motivo diferente daquele que não aceita ordens e está sempre deixando o cargo que lhe é confiado por total insubmissão. Aliás, olhe para o processo de chamamento de muitos profetas e sacerdotes e perceba esse padrão de Deus: todos estavam envolvidos em alguma atividade, estavam ocupados. Estar ocupado significa envolver-se naquilo que se propõe. Dedicar seu coração, sua alma, sua vida. Dessa forma, quando chamamos pessoas assim, será mais fácil convertê-las à visão e direção específicas para a nova função proposta.

    1. Jesus capacitou os escolhidos

Não há como falar sobre o processo de escolha dos discípulos sem fazer alusão à frase “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”. Note, porém, que, no Reino de Deus, capacitação é primordial. “Então, começou a ensinar seus discípulos...” (Mc 8,31), narra Marcos falando sobre essa relação de ensino entre Jesus e sua equipe. O próprio Espírito Santo foi enviado com a tarefa de nos “ensinar todas as coisas” (Jo. 14,26). Mas quando falamos de capacitação, mais uma responsabilidade nos é imposta.

Capacitação é o ato intencional de fornecer os meios para proporcionar a aprendizagem. A aprendizagem, por sua vez, é uma mudança no comportamento humano. Alguém já disse que “saber e não fazer é não saber”, ou seja, quando a teoria não é praticada, de nada vale. Muitos conhecem o Evangelho, mas não praticam. Foram ensinados, mas não aprenderam.

Por conta disso, “treinar” um membro da equipe pode ser trabalhoso, mas é fundamental para que a atividade não se perca. É interessante que quando a igreja tem membros bem treinados para a Messe, ela se desenvolve melhor, em todos os sentidos. E a recíproca é verdadeira. Igrejas maduras, bem desenvolvidas, valorizam a capacitação justamente porque ela vai ajudar na penetração, enraizamento e vivência da Palavra em cada um de seus membros.

Essa mudança de comportamento resultante da aprendizagem é decorrente dos novos conhecimentos, do desenvolvimento das habilidades, da lapidação das atitudes e da formação de conceitos daquele que foi capacitado, o que nos permite enxergar quatro fases no processo de treinamento de uma equipe.

A primeira é aquela fase de transmissão de informações, ou, apresentação da função para o qual ela se propõe. É a comunicação clara das responsabilidades da função, das políticas que norteiam seu desempenho, das metas e objetivos esperados e do que fazer em cada situação. Mas perceba que essa é só uma fase, a capacitação não acaba aí.

É preciso também trabalhar as habilidades dos envolvidos, e é nessa segunda fase que a infra-estrutura de trabalho é definida. Depois, da mesma forma que foram trabalhadas as habilidades, é preciso trabalhar as atitudes do grupo.

Agora é a terceira fase. Aqui entra o servir com o coração. Jesus, por exemplo, tinha habilidades e atitudes compatíveis com o reino de Deus. Não se pode dizer o mesmo de alguém que está sempre pronto a, por exemplo, ajudar na entrega de cestas básicas – usando suas habilidades – mas nunca pronto a sorrir. Jesus curava e também eliminava preconceitos. Expulsava demônios e perdoava. Contava histórias e amava.

Feito isso, chega-se a quarta e última fase da capacitação, onde os conceitos do serviço serão desenvolvidos – agora interligados com a visão da função, as habilidades de cada um e as atitudes do grupo. Enfim, capacitar alguém é mesmo um desafio. Mas o resultado final faz qualquer esforço valer à pena.

    1. Jesus deu o direcionamento

Para construir o Tabernáculo, conforme o Senhor ordenara, Moisés chamou todos os homens habilidosos que havia entre o povo. Artesãos, marceneiros, carpinteiros, pedreiros. Todos vieram e se dispuseram ao trabalho. Mas não poderiam fazê-lo sem a orientação de Moisés. A visão do Santuário lhe tinha sido clara, e mesmo sem, talvez, possuir os mesmos dotes daqueles que agora se colocavam à sua frente para trabalhar, era Moisés o administrador da obra, portanto, era sua responsabilidade conduzir os trabalhadores.

Jesus também orientou como os setenta designados para sair evangelizando o mundo de sua época deveriam agir. Falou desde o que deveriam levar até como deveriam se comportar. A missão era clara e bem definida.

“Depois disto, o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar onde ele estava para ir. E lhes fez a seguinte advertência... ” Lc 10,1

Assim como Moisés e Jesus fizeram, cada um em seu tempo, como líder você precisa orientar sua equipe e conduzi-la à visão que Deus lhe dera. É sua função direcionar a obra: definir metas em cada etapa, o papel de cada um no processo e acompanhar todo o andamento da missão. Tanto Moisés como Jesus seguiram o padrão de enxergar o objetivo, implantar o trabalho em equipe, comunicar-se de maneira clara, dar instruções detalhadas, prever situações adversas para orientar procedimentos e encorajar os envolvidos pela significância da Missão. Sua meta deve ser agir como eles.

Cabe ainda ao líder não deixar que as coisas ocorram “ao acaso” em sua equipe. Princípios são inegociáveis, mas alguns assuntos devem ser totalmente maleáveis, portanto cabe ao comandante da missão a decisão de prosseguir, mudar a rota ou parar. O conceito de laissez-faire - atitude que consiste em não intervir, manter-se neutro em determinada situação, ‘deixar acontecer’ – embora faça parte de nossa cultura, deve ser utilizado com muito cuidado na vida dos ministérios da Igreja. Da mesma forma, o “improviso”, tão comum no comportamento latino, não pode ser rotina de uma boa equipe.

    1. Jesus avaliou o trabalho

É muito bom quando batizamos um novo membro da igreja. Mas o momento de aprender muito é quando um membro decide sair de nossa comunidade. Em geral, isso ocorre porque em algum lugar do processo houve falha. Penso que o ideal seria uma conversa franca com aquele que se afastou da comunidade, embora saiba que nem sempre isso é possível.

O retorno ou o feedback, ou a reação dos envolvidos no processo – locutores, interlocutores e receptadores – é fundamental para o sucesso. Sem avaliar os resultados de cada etapa, corre-se o risco de desperdiçar informações importantes que poderiam encaminhar o trabalho para um ou outro lado, evitando os mesmos erros.

Em pelo menos duas ocasiões, Jesus reagiu ao comportamento dos discípulos e deixou claro uma opinião sobre os fatos.

“Roguei a teus discípulos que o expulsassem, mas eles não puderam. Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco e vos sofrerei? Traze o teu filho.” Lucas 9, 40-41

“Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!... Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai... E, voltando-se para os seus discípulos, disse-lhes particularmente: Bem-aventurados os olhos que veem as coisas que vós vedes.” Lc 10,17;24

Observe que esses dois momentos entre Jesus e sua equipe relacionaram-se ao mesmo assunto: expulsão de demônios. No primeiro momento, Ele os repreendeu por não terem conseguido expulsar. No segundo eles se surpreenderam pelo fato de os demônios se submeterem. Um dos objetivos de avaliar a equipe é descobrir onde é preciso concentrar nossos ensinamentos. Jesus fez isso e parece que os discípulos aprenderam a lição.

A avaliação é um meio, não um fim. Ela deve ser relativa ao objetivo desejado, mas observa também as habilidades, as atitudes e os conceitos em evidência no grupo. Avaliar, no processo de formação da equipe, é essencial tanto para reforçar o que vem sendo positivo como para punir o que é negativo, resultando num plano de ajustes. Perceba que Jesus soube trabalhar com isso em dois momentos diferentes, mas sequenciais – em um reprovou, mas no outro aprovou o comportamento da equipe - o que evidencia sua capacidade, como líder, de olhar para as qualidades e defeitos dos discípulos com a mesma intensidade, sem fechar os olhos para um ou outro.

Por fim, lembre-se que os resultados da avaliação poderão promover um ambiente de cooperação ou comodismo no grupo, bem como, um clima de competição ou compromisso entre os envolvidos. O fato de o líder ser mais ou menos assertivo servirá de instrumento para tal.

 

    1. Jesus incentivou sua equipe

“E disse Pedro: Eis que nós deixamos nossa casa e te seguimos. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus, que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna.” Lc 18,29-30

“Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior. Mas Jesus lhe disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve.” Lc 22,24-27

Não há quem não goste de um incentivo quando num desafio. Mas nem sempre incentivar significa fazer festa diante de algumas atitudes. Jesus prometeu aos discípulos coisas tremendas no presente e na eternidade, mas também enfatizou o coração de servo que todos devem ter.

Na caminhada cristã, descobri que o maior incentivo de quem serve é agradar o Senhor. Não há alegria maior para um servo do que sentir que Deus está feliz com suas atitudes e seu trabalho. Bem por isso, creio que o maior incentivo de quem serve é que se permita que ele sirva mais. Cabe então ao líder, ao seu senhor, oferecer-lhe instrumentos de trabalho e novos desafios.

Existem muitas maneiras de incentivarmos nossas equipes. Segundo os especialistas, as pessoas têm cinco níveis diferentes de necessidades. Ele chamou isso de hierarquia das necessidades. O primeiro nível é o das necessidades fisiológicas. Aqui estão incluídas a saúde física, alimentação, moradia e outras similares. O segundo degrau da hierarquia é o das necessidades de segurança. Em termos pessoais, busca-se a proteção da integridade física e emocional, segurança no trabalho e nos projetos que se envolve em termos gerais. O terceiro passo a preencher é aquele das necessidades sociais: aceitar e ser aceito, pertencer a um grupo, ter uma identidade coletiva, seja de uma nação, credo religioso, clube social ou time de futebol. Na caminhada natural, o quarto passo é preencher as necessidades de estima. Nesta etapa, o indivíduo busca relacionar-se afetivamente com as pessoas de seu ambiente, amar e ser amado, perdoar e ser perdoado, ouvir e ser ouvido. Finalmente, o quinto passo que é o topo da vida encontra-se nas necessidades de realização. Neste ponto, aqueles que aqui chegam, como Jesus, o clímax seria cumprir uma missão que envolve o serviço a outros.

Então, incentivar a equipe, de maneira geral, é estar atento à satisfação de todas essas diferentes necessidades das pessoas. De maneira alguma uma organização ou agrupamento deve sequer pretender suprir todas as necessidades de alguém, mas devemos ser sensíveis a qual estágio cada um se encontra e fazer nosso melhor para ajudar cada qual em seu momento de vida.

 

  1. CRITÉRIOS PARA A ADOÇÃO DOS LÍDERES

 

    1. Confessar a fé em Jesus (1Jo. 5,1-3) e na Igreja (O Credo);

 

    1. Cultivar na vida pessoal um relacionamento crescente com o Pai, através das disciplinas espirituais. (Mt. 6,33, Cl. 1,9-11);

 

    1. Viver um estilo de vida que reflete o caráter de Cristo e que não enfrenta atualmente problemas morais (1Tm. 3,1-13; 4,12);

 

    1. Concordar com a estrutura de liderança de pequenos grupos e seguir a orientação de um líder. (Hb. 13,7);

 

    1. Ser membro ativo da comunidade (1 Co. 4,2).

 

 

  1. PRÁTICAS PARA O CHAMADO DE LÍDERES

 

  • Para reconhecer um aprendiz de líder de Pequeno Grupo:

 

  1. Identificar que quem trata o grupo com seriedade;

 

  1. Considere aquelas pessoas que desafiam sua liderança, as quais podem ser líderes em potencial, e as traga para perto de você e invista nelas;

 

  1. Fique atento a pessoas que você pode reconhecer e confirmar como tendo caráter e habilidades (dons) que serão cobradas no papel de liderança;

 

  1. Olhe para pessoas que abraçam a visão de Pequenas comunidades;

 

  1. Dê responsabilidades e oportunidades de ministração para ver se alguém apresenta potencial de liderança. (Ex.: Peça que ele ou ela conduza a reunião ou outra atividade. Com isso, você identificará quem tem condições de liderar um GMIM).

 

  1. PROCESSO DE CAPACITAÇÃO DOS LÍDERES

 

 

    1. PROMOVER A FORMAÇÃO (ESCOLA FÉ E VIDA)

 

    1. APOIAR AS AÇÕES

 

    1. PROMOVER AS REUNIÕES DE AVALIAÇÃO

 

 

  1. PROMOVER PROJETOS DE INTERVENÇÃO SOCIAL

(texto em construção)

 

 

  1. PROMOVER PROJETOS DE INTERVENÇÃO ESPIRITUAL

(texto em construção)

 

 

  1. ENCONTROS DE CONFRATERNIZAÇÃO (Dias d’Ávila-Feira)

(texto em construção)

 

 

 

Atividades Propostas

 

  1. Dar continuidade à Escola Fé e Vida, aberta a todos os interessados, para formação de leigos cristãos maduros na fé.

A Escola Fé e Vida serve também para integrar o grupo MEAC com a pastoral e conjunto das paróquias locais

É desejo do nosso Bispo que a Escola Fé e Vida seja implantada em outras paróquias da Diocese de Camaçari.

 

  1. Realizar encontros de estudo e confraternização com os demais grupos missionários do MEAC da Bahia (Feira de Santana e Humildes, em fase de revitalização).

 

  1. Realizar encontros periódicos de espiritualidade e momentos de oração em comum.

 

  1. Desenvolver pelo menos um projeto de promoção humana ou participar de algum projeto existente com a finalidade de envolver os membros do MEAC numa ação caritativa, dando testemunho de solidariedade e partilha que são condições preliminares para a evangelização.

 

 

  1. Descobrir e treinar novas lideranças em vista da animação dos pequenos grupos de convivência cristã, fazendo destas lideranças possíveis candidatos para participar do MEAC.