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UNIDADE NA DIVERSIDADE

O cristianismo é a religião da diversidade. Tanto no catolicismo quanto no protestantismo ou demais seguimentos da doutrina cristã, mesmo hoje ou no advento de sua prática, a religião oriunda de Cristo é caracterizada pela sua diversidade de seguidores. Daí os conflitos entre opiniões divergentes e a origem das diversas linhas e tradições oriundas num mesmo ensinamento. Daí a necessidade constante de se rever a fonte, a tradição apostólica e seu apelo para se preservar a unidade. Essa é a segunda grande parada que a CFE-2021 apresenta ao Povo de Deus cristão.

Paulo, o apóstolo dos gentios, tinha consigo essa preocupação. O clima na época era de uma diversidade bem preocupante, pois judeus, cristãos, gentios e romanos se debatiam conflituosamente na questão religiosa. Lembra-nos o texto: “Em 68 d.C. guerras civis começaram a surgir pelo Império. Nessa ocasião, Nero era o imperador. Sob seu domínio, três acontecimentos foram marcantes: 1. A perseguição a pessoas cristãs em Roma (64 d.C.); 2. O levante e o massacre dos judeus em várias partes do Império, principalmente no Egito (66 d.C.); 3. A revolução judaica na Palestina em 66 d.C., que levou à brutal destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C.” (103).

Em meio a esse caos surge o cristianismo, que prospera mesmo contra a torrente dos fatos. O apóstolo orienta os adeptos de sua fé a não perderem a unidade diante da diversidade presente entre os seguidores da doutrina ainda florescente. Sua carta aos Gálatas era um veemente apelo a essa unidade: “Não há judeu, nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, mas sois um em Cristo Jesus” (3, 28).

Assim chegamos até aqui. Na diversidade de nossas culturas, origens, tradições e liturgias, a fé em Jesus continua viva, apesar de tantas divergências, o que é próprio do ser humano. Nosso vínculo maior ainda é o Cristo, que nos une ao redor de uma mesma certeza, a garantia do Reino de Deus entre nós, no agora e no sempre de nossa esperança. Esse vínculo é maior “porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um”, nos lembra o lema da CFE. Uma curiosidade: Esse versículo faz menção a uma parede do Templo de Jerusalém, que dividia o pátio separando judeus e gentios. Em Cristo essa divisão deixou de existir. O véu do templo se rasgou...

O Evangelho derruba muros. A força de Deus torna-se evidente na Palavra proclamada por Cristo, seu Filho, que sequer admite a possibilidade de qualquer seguidor seu pensar-se superior ao outro, mas iguais na diversidade. Por isso, em Cristo, somos todos iguais, construtores de um mundo novo, defensores da paz. Isso é o que nos une como irmãos. “A paz é uma condição do reino de Deus (Rm 14,17). O Evangelho promove a paz e a comunidade confessa que Cristo é a paz que derruba os muros de separação e reconcilia as pessoas inimigas (Ef 2, 11-14)”. Essa certeza nos basta!

O que então nos divide? O orgulho religioso... Eis nosso inimigo comum. Acreditar que a razão está do nosso lado, que nossos conceitos são donos da verdade cristalina, fonte da pureza evangélica, luz entre a cegueira da grande maioria é a cortina de fumaça que hoje nos divide. Esquecemo-nos de que quem governa e conduz a Igreja não somos nós, mas seu Espírito vivificador e detentor da única Verdade. “É o Espírito Santo que abre nossos olhos, mentes e corações para que percebamos o sentido da afirmação da Carta aos Efésios que diz: ‘Assim, não sois mais estrangeiros nem migrantes; sois concidadãos dos santos, sois da família de Deus’ (2,19)”. As comunidades cristãs precisam redescobrir essa pertença mística ao Corpo de Cristo!

WAGNER PEDRO MENEZES
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