Reflexões

Pesquisar

Últimas Reflexões

16 Março 2020
08 Março 2020
02 Março 2020
23 Fevereiro 2020
17 Fevereiro 2020
09 Fevereiro 2020
27 Janeiro 2020
20 Janeiro 2020

UM SONHO ECLESIAL 2

Encerrando sua carta apostólica dirigida à nossa querida Amazônia, Papa Francisco descreveu-nos um longo sonho de vida eclesial. Primeiramente nos mostrou caminhos para a Igreja marcar presença e delimitar espaços de atuação a partir da realidade. A atuação eclesial não pode interferir ou desvirtuar o que de bom já existe na tradição de um povo. Muito menos no meio em que vive, como comunidades “cheias de vida” (91). A partir dessa constatação, a presença da Igreja deve centrar-se na vida Eucarística, “como fonte e cume” duma “riqueza multiforme”.

Para que isso aconteça, “são necessários sacerdotes, mas isto não exclui que ordinariamente os diáconos permanentes – deveriam ser muito mais na Amazônia -, as religiosas e os próprios leigos assumam responsabilidades importantes em ordem ao crescimento das comunidades...” (92). Sobrou pra todos. Aquilo que seria um plano emergencial, como a possibilidade de ordenação de homens casados ou mesmo a utópica ordenação feminina, não passou de uma ilusão mal formulada, fora da realidade sacerdotal até então preservada pela milenar história do catolicismo. Então o dinamismo eclesial é de responsabilidade de todos, é atividade inerente à realidade mística do corpo de Cristo, a Igreja que somos.

O Papa vem nos reafirmar nosso compromisso missionário. “Os desafios da Amazônia exigem da Igreja um esforço especial para conseguir uma presença capilar que só é possível com um incisivo protagonismo dos leigos” (94). “Por isso devemos pensar em grupos missionários itinerantes e ‘apoiar a inserção e a itinerância’ dos consagrados e consagradas ao lado dos mais desfavorecidos e excluídos” (98). Nestes grupos incluir e valorizar a participação feminina, reconhecendo “a força e o dom das mulheres”, subtítulo onde o Papa foca a importância feminina na ação da Igreja. “Jesus Cristo apresenta-se como Esposo da comunidade que celebra a Eucaristia, através da figura de um varão que a ela preside como sinal do único Sacerdote” (101), mas “as mulheres prestam à Igreja a sua contribuição segundo o modo que lhes é próprio e prolongando a força e a ternura de Maria, a Mãe” (101). Depois dessa, seria bom que muitos de nossos homens fossem catar coquinho. A força e a ternura são características femininas!

Para se ampliar os horizontes a presença da Igreja nunca pode gerar conflitos. “O conflito supera-se num nível superior, onde cada uma das partes... se integra com a outra” (104). Nossa presença eclesial é de constante diálogo com a realidade. “Isto não significa... relativizar os problemas, fugir deles ou deixar as coisas como estão” (105). O diálogo ecumênico é um desses tópicos. “Numa Amazônia plurirreligiosa, os crentes precisam de encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum” (106). A maior riqueza da vida comunitária está no diálogo e no respeito às diferenças. “Nada disto teria que nos tornar inimigos” (108).

Diálogo e respeito, nos pede o Papa. E conclui: “Como cristãos, a todos nos une a fé em Deus, o Pai que nos dá a vida e tanto nos ama. Une-nos a fé em Jesus Cristo, o único Redentor, que nos libertou com o seu bendito sangue e a sua ressurreição gloriosa. Une-nos o desejo da sua Palavra, que guia nossos passos. Une-nos o fogo do Espírito que nos impele para a missão. Une-nos o mandamento novo que Jesus nos deixou, a busca duma civilização do amor, a paixão pelo Reino que o Senhor nos chama a construir com Ele...” (109). E termina com uma pergunta: “Como não rezar juntos e trabalhar lado a lado para defender os pobres da Amazônia, mostrar o rosto santo do Senhor e cuidar de sua obra criadora?” (110) Responda você mesmo.

WAGNER PEDRO MENEZES
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.