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QUANDO CHEGAR NOSSO DIA: Wagner Pedro Menezes - Meac

 

Por sua natureza amante e apaixonada pela vida, o ser humano vive intensamente cada segundo que lhe é permitido viver. É claro: uns mais outros menos, mas cada qual tirando o máximo possível dos dias que lhes restam. Se possível, a vida de muitos seria um eterno festim, sem compromissos estafantes, sem insônias, sem qualquer outra ação que não visasse o bem-estar pessoal, os prazeres do mundo. Acontece que a realidade é outra.

Diz esta que a vida não é feita só de saraus e loas aos deuses das satisfações pessoais, mas também e por primeiro nos compromete com uma ação de luta para sobreviver. Não importa aqui a condição individual, profissional ou social do indivíduo, mas o fato de que sem um compromisso de produção, de busca, de ação para manter-se, ninguém vive, vegeta. A isso chamamos trabalho. Conquanto outros o aceitem como missão, tarefa, obra, aquilo que Deus lhe confiou para realizar na vida... Fora dessa visão e aceitação, o trabalho humano nunca será uma ação abençoada, produtiva, mas escravagista, constrangedora, sem qualquer satisfação ou mesmo o prazer que a vida profissional bem aceita possa nos proporcionar.

Todos temos uma missão a cumprir. Descobri-la e aprimorá-la no dia-a-dia também é um segredo de felicidade. Um profissional bem resolvido em sua vocação é sempre alguém feliz, que irradia segurança no que faz e harmoniza o mundo a seu redor com sua ação e eficiência. Já um profissional frustrado, deslocado, forçado ao trabalho, ah, saiam da frente! Seu espírito irado contagia o mundo, sua obra deixa a desejar, sua ação transpira a imperfeição. Pobres esses, que nunca encontrarão satisfação naquilo que pensam produzir. Máquinas e robôs são mais eficientes que eles próprios!

Nossa vida profissional é um complemento fundamental na razão da própria existência, uma marca pessoal indelével, que marcará para sempre nossa própria história. Por isso deve ser primorosa, bem aceita, prazerosa.  Deve encher nosso coração de orgulho e louvar o Criador pela capacidade que nos concedeu para exercer esta ou aquela função. Não importa qual, mas cada qual tem seu mérito e importância vital na engrenagem produtiva da qual todos nós fazemos parte. Assim, buscando aprimorar esta questão, encontramos o exemplo do próprio Cristo, que só avaliou sua obra quando a noite tétrica de sua paixão e morte apontava o próprio fim.

O horto das Oliveiras foi o local de confronto com sua missão e histórico de vida. Um dos poucos momentos em que Jesus intercedeu ao Pai em favor de si próprio. Pudera, não queria decepcioná-lo, apresentar-lhe uma obra inacabada, imperfeita, decepcionante; o fruto de sua vida terrena teria que ser um trabalho mais que perfeito. “Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer” (Jo 16,4). Ah, glórias! Quem nos dera um dia dizer o mesmo diante de Deus! Quem nos dera apresentar ao Pai um histórico de vida condizente com aquilo que Ele um dia traçou para cada um de nós! Uma vida profissional digna, condizente com nossos dons e talentos, coerente com nossos princípios de fé, é o mínimo que qualquer bom filho, temente por respeito, mas amoroso por obrigação, poderá um dia apresentar àquele que nos dignou participar concretamente de sua Obra. Oxalá possamos dizer, como Jesus: “Terminei a obra que me deste para fazer. Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti...” Só então estaremos aposentados para gozar os verdadeiros prazeres da vida. Bater o ponto com merecida alegria!