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A PRIMEIRA TENTAÇÃO

Enquanto em minha diocese um padre é suspenso por presidir uma celebração de união homoafetiva entre dois homens; enquanto o mundo acompanha os passos e tirada geniais da menina ativista GretaThunberg, uma pirralha capaz de levantar interrogações na cabeça de muitos mandatários onipresentes, é eleita pela Time como pessoa do Ano; enquanto a guerra polícia versus população carente faz mais vítimas num paraíso de ruas e vielas infernais; enquanto o velho Noel desfila seu saco cheio de ilusões e baboseiras do consumo, uma trupe de palhaços brasileiros faz chorar ao invés de rir sua plateia anestesiada pela descrença do que humanos possuem de mais sagrado, entrando nos lares sorrateiramente, pela porta dos fundos...

O diabo é que essa é a entrada preferida pelos ladrões de qualquer espécie. Até pelo próprio Pai da Mentira, o pior dos ladrões da dignidade que sonhamos. Essa história de desafiar a fé popular num deboche sem peias e sem um mínimo de respeito aos valores mais sagrados que a história humana vem catalogando ao longo de sua peregrinação terrena, é simplesmente a mais vil das ações diabólicas. Senão, vejamos o primeiro dos mandamentos divinos, que nos lembra a obrigação de Amar a Deus sobre todas as coisas. Esse dever de respeito ao que é sagrado não está no topo de uma cadeia de valores à toa. Essa, todavia, é a primeira tentação daqueles que debocham do Paraíso, o maior dos horizontes almejados por qualquer filho de Deus.

A trupe brasileira (tinha que ser brasileira?) Porta dos Fundos e sua parceira Netflix assinaram a própria condenação. Violaram não um, mas todos os mandamentos que derivam do Amor de Deus, ao apresentarem o especial “Se beber, não ceie”. Nele apresentam um Jesus beberrão, com distúrbios amorosos, usuário de drogas e com envolvimentos homossexuais com o próprio Diabo. Isso sem falar de Maria, apresentada como uma devassa que despreza José e mantêm um romance extraconjugal com Deus. Quanta perversão! Quanta imoralidade e petulância para um enredo que se diz humorístico e que se pretende encaixar entre os “especiais de Natal” num meio de comunicação social. Perderam o senso do ridículo ou foi uma possessão demoníaca sobre almas pútridas e inquestionavelmente já condenadas, ainda que vivas? Meu Deus, onde chegamos! Isso é o que podemos chamar humor negro...

Mas Deus aqui é Negro. Não só na pele, como também na ação de ignorar os filhos das trevas – o rebanho que desdenhou sua graça e que não mais lhe pertence – pois que sua negritude é uma parede contra o bem. Partilhando essa verdade, Fonseca, meu amigo na jornada da Luz, escreveu- me uma revelação bem a propósito: “Com real efeito, Jesus Cristo que é a luz veio para tornar filhos de Deus todos os homens. Um só é o Filho, porém todos podem tornar-se mais do que filhos adotivos, pois nasceram de Deus (Gal 3, 26-27)” E concluiu: “O Natal é o nascimento de cada homem novo...”

Eis tudo. Fora disso, qualquer discordância, crítica, negação pública da divindade de Cristo – aquele que foi gerado e não criado, que realizou em si a Promessa da Redenção - bem como qualquer tentativa de macular aquela que se fez imaculada, Maria, que desde sua concepção se fez serva para receber em seu ventre o fruto do amor mais puro e sagrado, o amor do Pai por nós, qualquer ação contrária à verdade da fé cristã, será realmente uma afronta diabólica. Uma comédia satânica. Uma tragédia para aqueles que se envolveram nisso. Deus tenha piedade de suas almas, pois só Ele poderá perdoar tão terrível afronta. A mesma que fez de Lúcifer o anjo caído e o mergulhou definitivamente no reino das Trevas. Sem luz não há projeção. O filme da vida perde expectadores. Netflix perde assinantes.

WAGNER PEDRO MENEZES
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