Reflexões

Pesquisar

Últimas Reflexões

02 Dezembro 2019
24 Novembro 2019
18 Novembro 2019
10 Novembro 2019
04 Novembro 2019
28 Outubro 2019
13 Outubro 2019
07 Outubro 2019
30 Setembro 2019

UMA IGREJA APAIXONANTE

A visita do Papa Francisco ao Marrocos, norte da África, revela ao mundo o rosto de uma Igreja até então desconhecido. Incrustado na passagem africana para o continente europeu, entre os oceanos Atlântico e Mediterrâneo, o reino do Marrocos tem uma população de aproximadamente 35 milhões de pessoas majoritariamente muçulmanas. Apenas 0,08%, aproximadamente 25 mil, se dizem católicas. Segundo seu arcebispo, D. Cristóbal Lopes, da diocese de Rabat, a Igreja de Marrocos existe e resiste: “É insignificante, mas significativa”.

Para quem passa ao largo dessa definição perde a oportunidade de uma descoberta no mínimo edificante. Aqui o essencial é bem visível. Tanto que as primeiras palavras de Francisco em terras marroquinas já exaltavam o significado dessa presença cristã em situação tão adversa à sua ação evangelizadora. Disse em seu primeiro discurso: “Um diálogo autêntico convida-nos a não subestimar a importância do fator religioso para construir pontes entre os homens e enfrentar com êxito os desafios. De fato, no respeito das nossas diferenças, a fé em Deus nos leva a reconhecer a dignidade e os direitos do ser humano”. Palavras sábias e cautelosas de alguém que prioriza não a realidade de sua instituição, mas a prioridade do Reino de Deus.

Nesse painel de adversidades, salta-nos o testemunho de uma Igreja-viva, católica e apostólica por excelência. Existimos no Marrocos e aqui nos tornamos uma Igreja-samaritana, afirmou seu pastor maior. D. Cristóbal não esconde o orgulho de pertença a este rebanho, insignificante numericamente, mas que vive sua universalidade “em comunhão” com um povo de arraigada fé no mesmo Deus de nossos pais. Compreendem plenamente a necessidade de trabalhar não pela sua igreja ou comunidade, mas para o Reino. Testemunham sua fé como povo “orante em meio a um povo de orantes”, onde o diálogo islâmico-cristão tem a mesma característica da “visitação” de Maria, que levou Cristo sem estardalhaços, sem nada dizer... É uma igreja visivelmente ecumênica, em meio a outras minorias como os protestantes, anglicanos e ortodoxos. Possuem em conjunto um Instituto Ecumênico de Teologia, cujo nome -“Al Mowafaga”- por si já é uma lição de diálogo. Significa “O acordo” ou “A compreensão”. Querem mais? Pois no quadro de avisos da catedral e de muitas de suas igrejas existe o seguinte aviso: Missa 10 hs. Culto Evangélico 12 hs.

Não bastasse esse testemunho de vida cristã, a Igreja de Marrocos se define como Samaritana. E o é realmente, pois através da Cáritas internacional ali desenvolve um verdadeiro apostolado de ajuda aos muitos refugiados daquele continente mitigado pela fome, doenças e miséria extrema. No Marrocos encontram a porta para as ilusões do mundo que pensam civilizado, em especial o continente europeu.

Dessa forma, o mundo cristão tenta ser ponte entre a realidade e as falsas ilusões apregoadas pelo mundo ocidental. São verdadeiras pontes, capazes de fazer uma transição respeitosa entre mundos divergentes. Entre cristãos e muçulmanos, África e Europa, negros e brancos, oriente e ocidente, jovens e adultos, protestantes e católicos. Apregoam com a vida os ensinamentos básicos da doutrina que nos quer irmãos. Ou, como bem resumiu o arcebispo dessa Igreja que sofre, mas não se acovarda diante dos desafios: “Construir pontes ao invés de construir muros, ser uma Igreja apaixonada e apaixonante”. O essencial está bem visível: Deus acima de tudo! O resto é o que nos sobra, é lucro.

WAGNER PEDRO MENEZES
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.