Reflexões

Pesquisar

Últimas Reflexões

14 Janeiro 2019
07 Janeiro 2019
30 Dezembro 2018
24 Dezembro 2018
17 Dezembro 2018
09 Dezembro 2018
03 Dezembro 2018
26 Novembro 2018
19 Novembro 2018

VOCAÇÃO É PARA QUEM PODE


Um pedreiro imaginar-se aplaudido e ovacionado num palco, diante de multidões, às vezes, não passa de um sonho louco. Mas um cantor que sobrevive como pedreiro, aguardando uma oportunidade para brindar seu público com a voz que Deus lhe deu, não é simples sonho, mas certeza de que esse dia virá. Certas profissões são trampolins momentâneo para o sucesso. Questão de oportunidade. Quantos artistas de renome estão por aí, amassando pães, descascando cebolas, salgando mares de desilusões! Quantos farão emergir seus talentos, despertar e aprimorar a vocação latente em seus corações? Só o tempo dirá.

Mas como vocação soa mais a assunto religioso, nada melhor que uma pitada de fé. De fato, a origem latina da palavra ecoa como chamado, uma voz misteriosa que qualquer humano um dia ouve dentro de si mesmo. Quem nunca se deparou com ela? É quase sinônimo de um sonho, uma ambição, uma ilusão. Mescla-se aos objetivos que temos, aos projetos que traçamos na vida, a tudo aquilo que um dia permeia nossos sentimentos e reúne forças vindas não sei de onde, para que nossa vida se volte de corpo e alma para uma meta pré-configurada dentro de nós. Nesse campo, não existem oponentes capazes de nos persuadir do contrário. É isso o que eu quero. É essa minha busca, razão do meu viver. Então, saiam da frente os que se opõem a ela.

Chamado, escolha, determinação seriam as palavras mais adequadas. Antes, é preciso definir o que move nosso coração para tão determinada busca. A Bíblia está permeada de situações em que o humano se depara com o divino, quando o assunto é a busca vocacional. Jeremias se deparou com essa busca ainda criança. Tornou-se o profeta que salvou seu povo da opressão. Isaias, outro grande profeta, aceitou sem relutar os desígnios de Deus sobre sua vida. “Eis-me aqui, envia-me”. O sim de Maria também nos revela a disponibilidade de uma alma diante da vontade de Deus. Sua maternidade foi a vocação mais retumbante de uma jovem diante de um desafio aparentemente impossível: “Como isso se dará, se não conheço homem?” A maternidade está acima das concepções fisiológicas. É uma escolha divina, uma vocação para aquelas que podem mais do que imaginam.

Como vemos, vocação não se determina conforme sonhos e necessidades familiares, sociais ou financeiras. Essa balela do modismo, da rentabilidade, das circunstancias que o meio social cria para gerar profissionais conforme a demanda do mercado de trabalho, é o maior dos desastres do mundo moderno. Estamos saturados de profissionais incompetentes, insatisfeitos, frustrados. Falta-lhes o timbre de uma vocação bem definida, aceita e buscada com esmero, sem falar da alegria e satisfação que regem uma vida bem definida vocacionalmente, profissionalmente. Escolas da modernidade já não priorizam essa definição estritamente pessoal, pois que a grande maioria destas estão a serviço do mercado e suas necessidades mais prementes.

Precisamos repensar esse modelo de formação. Espaço há para todos os campos e bons profissionais são aqueles que buscam um sonho pessoal, nunca familiar, nem mercadológico. Por isso é fundamental entender a vocação como “chamado” pré-determinado em nossas vidas e que precisa ser levado a sério pelas nossas instituições, sejam estas profissionais, religiosas ou artísticas. Porque ter determinada vocação é dom, é privilégio. É determinação divina. É para quem pode, não para quem quer. “Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz” (Deut 30, 19-20).

WAGNER PEDRO MENEZES
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.