Formação Missionária

DE CASA EM CASA

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A presente reflexão se inspirou numa prática que herdamos dos missionários do MEAC da primeira hora, pratica que eles chamavam de “santas missões em seu lar”. Hoje, mais do que nunca, esta maneira de evangelizar é atual e necessária diante da realidade em que vivemos, diante das orientações da Igreja e, sobretudo, porque “o caminho da evangelização passa pela família”.
Existe na Igreja uma pastoral, cuja finalidade especifica é a evangelização das famílias: “família evangelizando família”. Por isto, neste mês de outubro, que é o mês missionário, nossa atenção se dirige não apenas aos membros do MEAC e aos seguidores que acompanham as lições da escola Fé e Vida mas também aos membros da Pastoral familiar para que, cada vez mais, possam despertar e crescer na sua consciência missionária de “levar às famílias a alegrias do Evangelho".
Independentemente, porém, de estar ou não ligado à pastoral familiar, todo cristão, discípulo missionário do Senhor, deve lembrar que o primeiro campo da ação evangelizadora é a família e esta missão exige a união de todas as forças vivas da Igreja. Para a missão convergem todas as atividades e todos os recursos materiais de uma paróquia ou de uma comunidade eclesial.

Percorrendo as páginas do Evangelho, descobrimos que boa parte da mensagem anunciada por Jesus foi nas casas de família. 
Só para lembrar algumas destas residências que foram palco de ação evangelizadora de Jesus:
a casa de Pedro (Mc. 1,30); de Simão, o leproso (Mt.26,6); de Levi (Mt.9,10); de Zaqueu; de Lazaro, Marta e Maria (50,12,2-7.10,38-42); de Jairo ( Mc.5,25-42) e outras cujos proprietários não são citados. Sem esquecer que durante trinta anos Jesus cresceu, foi educado, rezou, trabalhou vivendo numa humilde casa de família em companhia de seus pais Maria e José, onde “Jesus ia crescendo também em sabedoria, e tanto Deus como as pessoas gostavam cada vez mais dele” ( Lc.2,52).
Foi ao visitar a casa de um pagão chamado Cornélio (Atos 10,1-48) que Pedro reconheceu que a salvação trazida por Jesus Cristo é para todos, sem distinção.
Paulo, falando aos anciãos de Efeso em Mileto, lembra o trabalho missionário realizado por ele e diz: “Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vós e de vos ensinar publicamente, e também de casa em casa” (Atos 20,20). Anunciar o Evangelho de casa em casa fazia parte de metodologia missionária de Paulo.
É absolutamente certo que o Evangelho de Jesus Cristo, no inicio de cristianismo, se difundiu rapidamente e em toda parte pela mensagem transmitida de boca em boca, de casa em casa, propagando o anúncio feito pelos grandes missionários da primeira hora.
Hoje, face à realidade do mundo no terceiro milênio, a Igreja se sente na obrigação de voltar às fontes do cristianismo e mostra a necessidade de retomar o método de evangelização original, que significa levar a boa nova de Jesus de casa em casa: “Evangelização oikós”, palavra grega que significa exatamente “casa”. Somos uma “igreja em saída”, conforme a expressão do Papa Francisco.
Convencidos desta urgência missionária e conscientes da nossa obrigação como discípulos de Jesus Cristo, naturalmente nos perguntamos: como levar a alegria do Evangelho às famílias? A resposta virá da criatividade de cada um e da luz do Espírito Santo que não deixa de sempre apresentar caminhos novos aos que desejam ser fieis à sua vocação de discípulos missionários.

2 Todavia existem muitas experiências de eficácia comprovada que podem nos orientar e estimular neste trabalho de evangelização familiar. Citaremos algumas desta práticas.
1) Uso dos meios de comunicação social: as redes sociais. 
Assistimos nestes dias a cerimônia de beatificação de um jovem de 15 anos, falecido em 12/10/2006: Carlos Actis. Um jovem cheio de vida e de ideais, mas, sobretudo, cheio de amor a Jesus Eucaristia. Carlos Actis, no seu curto tempo de vida, foi um grande evangelizador.
Evangelizava especialmente os jovens, seus colegas, com a sua vida e com a ferramenta que ele usava com muita habilidade: a internet. O Papa Francisco o aponta a todos nós como um exemplo e um dia se espera que será proclamado “padroeiro da internet”.
Utilizar os meios ao nosso alcance, as redes sociais nas mais variadas formas que a tecnologia nos oferece, torna-se uma necessidade para a evangelização. O celular, nas mãos de um verdadeiro cristão deveria ser, acima de tudo, um instrumento de apostolado. Naturalmente isto exige o bom uso do celular, a sobriedade na transmissão das mensagens, evitando o excesso do conteúdo, pois todo alimento em excesso faz mal, mesmo que se trate do alimento sagrado da Palavra de Deus. O celular é um espelho que reflete a imagem do seu usuário. A leviandade na comunicação virtual poderia ofertar a credibilidade do comunicador e a acolhida da boa mensagem transmitida.

2) Mensagem escrita. 
Fazer chegar às famílias uma mensagem escrita, será de grande eficácia na evangelização. O que está escrito permanece, enquanto as mensagens virtuais, embora mais fáceis e rápidas para serem transmitidas, são voláteis. Um simples folheto, um cartão, um convite ou outro impresso oportuno, abrangem não apenas uma pessoa mas poderão passar de mão em mão e assim chegar a todos os membros da família.
Sabemos da dificuldade ou até da impossibilidade de fazer chegar às famílias uma mensagem escrita, sobretudo em tempo de pandemia, mas temos certeza de que tudo isto vai passar e em breve voltaremos à normalidade, que deverá ser uma “nova normalidade”. Então voltaremos a nos movimentar, saindo das nossas residências e retomaremos o trabalho de evangelização, também através das visitas domiciliares.

3) Ministério de visitação.
Entre todos os meios de evangelização, nada substitui a visita domiciliar. Ter um encontro pessoal, manter uma conversa amiga, é mais eficaz que qualquer meio de comunicação. Maria inaugurou o “ministério da visitação” ao sair da sua casa em Nazaré, para levar a mensagem de salvação, que Ela carregava no seu ventre, à família de Isabel e Zacarias lá nas montanhas da Judéia. Como vimos, este também foi o método de Jesus, de Pedro, do Apóstolo Paulo e dos pioneiros da pregação evangélica. A visita familiar é também a oportunidade que nós temos para deixar uma mensagem impressa para todos os membros da família, levando também o conhecimento do que acontece na paróquia e uma palavra amiga do Pastor. Isto contribuirá para manter vivos os laços de união com a família paroquial.

4) Momentos especiais da vida familiar
Podem ser momentos de alegria, como a comemoração de uma data importante: o nascimento de uma criança, uma formatura ou a chegada de um novo morador na comunidade, bem como momentos de dor: a doença ou a morte de um membro da família ou qualquer outro acontecimento familiar. Marcar presença nestes momentos, participar dos sentimentos da família, demonstrar proximidade sincera, sensibiliza e abre o coração das pessoas para 3 acolher uma palavra de vida e de esperança. Isto é “levar às famílias a alegria do Evangelho” (Papa Francisco)

5) “Hora da família” Realizar encontros de reflexão e de oração nas casas, reunindo os membros da família e as pessoas mais próximas, tem se mostrado um excelente meio de evangelização. A própria Igreja, sobretudo através da pastoral familiar, incentiva estes encontros domésticos e oferece subsídios variados para os tempos mais fortes do ano litúrgico: preparação para o Natal, campanha da fraternidade, na Quaresma; Semana da Família, no mês de agosto; Círculos bíblicos para o mês da Bíblia; mês missionário, em outubro e outras ocasiões especiais.
O leque de iniciativas irá se ampliando na medida em que crescem em nós o amor a Deus e o ardor missionário. O amor é criativo.
Existe, porem, uma certeza: o caminho da nova evangelização passa pela família.
Isto nos dá a certeza de que a pastoral familiar está voltada totalmente para a evangelização e sua ação será eficaz na medida em que os membros desta pastoral estiverem cheios de verdadeiro espírito missionário.
Que Maria, a Estrela da evangelização, a Rainha das famílias, nos abençoe, interceda por nós e faça a Igreja de Jesus ser cada vez mais missionária.

MEAC- DIAS D’ÁVILA/BA
ESCOLA FÉ E VIDA / OUTUBRO DE 2020