• Revista Calendário do Dízimo 2018

ESPAÇO FAMILIAR: romper bolhas, derrubar muros- Pe. Adroaldo Palaoro, SJ (Companhia de Jesus),

 

Com muito prazer e movido pela intenção de lhe ser útil, compartilho com você o texto anexo para oração, que foi preparado pelo Pe. Adroaldo Palaoro, SJ (Companhia de Jesus), e que se baseia no Evangelho para A Festa da Sagrada Família do Ano B da Liturgia da Igreja, que será celebrada no próximo domingo, dia 31 de dezembro. A data dessa festa é móvel. Cai sempre no domingo que houver dentro da Oitava do Natal, que é um tempo de oito dias para celebração do Natal do Senhor, começando no dia 25 de dezembro e encerrando-se no dia 01 de janeiro. É sempre no domingo que houver depois do dia 25 de dezembro e antes do dia 01 de janeiro. Entretanto, quando o dia 25 de dezembro cai num domingo e o dia 01 de janeiro conseqüentemente cair no domingo, a Festa da Sagrada Família será celebrada na sexta-feira da Oitava do Natal, que sempre, nesse caso, será no dia 30 de dezembro.

Também vai anexo o texto para oração do mesmo autor, baseado no Evangelho para a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, que é celebrada no dia 01 de janeiro, último dia da Oitava do Natal.

Como algumas pessoas, por problemas técnicos, não têm conseguido abrir o arquivo anexo, segue logo abaixo o conteúdo dele.

Faço votos de que a luz, a paz e as alegrias que o Filho de Deus trouxe para toda a humanidade e para toda a criação, pelo seu nascimento em Belém, estejam com você e em você, em todos os dias do novo ano, que logo vai chegar.

Pe. Assis

 

 

 

ESPAÇO FAMILIARromper bolhas, derrubar muros

 

“... Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor” (Lc 2,22)

 

Certamente todos já viram um invento recreativo para crianças, composto de um globo inflável que flutua sobre um reservatório de água; ali elas são introduzidas, e ficam se movendo prazerosamente. Tal invento evoca um comportamento frequente nas famílias de hoje. Sem se darem conta, elas mesmas fabricam uma bolha e se fecham nela como num reduzido microcosmo. Elaborado pela mente e inflado pelo ego, esse pequeno globo enclausura as pessoas em um mundo familiar muito definido: o êxito, a vaidade, o dinhei-ro, os bens materiais, um ambiente raquítico de espaço e tempo, torna-se sua única realidade.

No entanto, para as famílias cristãs, poderíamos perguntar se há algo mais além, por detrás dessa bolha, desse globo fechado no qual todos brincam como crianças inconscientes. Despertar o “eu profundo euniversal” é descobrir-se habitante de um universo novo e espaçoso, um “eu sou” com sabor de infinito, onde nem a escassez ou a riqueza, nem a saúde ou a enfermidade, nem a vida curta ou longa..., é o mais essencial, mas a consciência expandida que rompe a bolha e faz a pessoa sentir a liberdade amorosa dos filhos e filhas de Deus.

Deus “se fez diferente” e é na “diferença” que Ele vem ao nosso encontro como chance de enriqueci-mento vital e de intercâmbio criativo. Deixemo-nos surpreender pelo Deus da vida que rompe esquemas, crenças, legalismos, bolhas...; ou nossa vivência de fé se reduzirá a um ritualismo fechado, impedindo sair de nós mesmos.

 

Também os muros estão voltando à moda. Não podemos esquecer que os muros foram criados para a se-gregação dos “diferentes”. O muro econômico que exclui, se visibiliza no muro que segrega os excluídos.

Um muro é uma ordem, um silêncio forçado e prolongado, é vontade de poder e domínio sobre os outros.

Muros são pedras da vergonha no nosso percurso vital. Como tirá-los do caminho?

Muros não têm semente, embora se multipliquem pelo mundo. O muro é um veneno. Muros são concretos: muros entre ricos e pobres, entre homens e mulheres, entre ignorantes e doutores, entre negros e brancos, entre centro e periferia.

Muros são urros. Muros são murros, são muito burros! Todos os muros deviam se envergonhar, pois se os muros pudessem ensinar alguma coisa, desistiriam de serem muros.

 

A festa da Sagrada Família, que se deslocou a Jerusalém, nos instigaa romper a bolha que asfixia a vida e derrubar os muros que cercam o coração das famílias, atrofiando sua própria existência.

A mudança de mente, de coração, de esperança, de paradigmas... exige que todos, de tempos em tempos, revisem suas vidas, conservando umas coisas, alterando outras, derrubando ideias fixas, convic-ções absolutas, modos fechados de viver...   que impedem a entrada do ar para arejar a própria vida.

Há em todo ser humano uma tendência a cercar-se de muros, a encastelar-se, a criar uma rede de proteção. Também as famílias não estão imunes desta tentação.

No entanto, nada mais contrário ao espírito cristão que a vida instalada e uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranquilizadores...

Numa vida assim faltaria por completo o princípio da criatividade, a capacidade de questionar-se,a audácia de arriscar, a coragem de fazer caminho  aberto à aventura.

 

Se quisermos que a família cristã tenha a marca da Família de Nazaré, é necessário compreender que ela é chamada a um compromisso diferente e mais profundo:sair da reclusão dopróprio mundo para entrar na grande “casa” de Deus; romper com o tradicional para acolher a surpresa; deixar a “mar-gem conhecida” para vislumbrar o “outro lado”; desnudar-se de ilusões egocêntricas;afastar a “pedra” da entrada do coração para poder viver com mais criatividade...

As respostas do passado às questões atuais já não satisfazem; as velhas razões para fazer coisas novas, simplesmente já não movem os corações num mundo repleto de novos desafios.

Não há razão para permanecer nas bolhas e condomínios quando todas as circunstâncias mudaram.

 

Comprovamos hoje um “déficit de interioridade”. O ser humano “pós-moderno” perdeu a direção do seu coração; dentro dele há um “condomínio” onde portas se fecham, chaves se perdem, segredos são es-quecidos... e mergulha na mais profunda solidão estéril. Vive perdido fora de si mesmo e não consegue colocar as grandes perguntas existenciais: “de onde venho? quem sou? para onde vou? quê devo fazer?”

Muitos já não conseguem mais recolher-se e voltar para “dentro” de si, para recuperar o centro gravitaci-onalde sua vida, o ponto de equilíbrio interior. São vítimas da chamada “síndrome da exteriorização e-

 

xistencial”; tem dificuldades de introspecção, silêncio, reflexão, contemplação...; não são capazes de velejar nas águas da interioridade, vivendo uma vida superficial e sem sentido.

Seduzidos pelos estímulos ambientais, envolvidos por apelos vindos de fora, cativados pela mídia, pelas inovações rápidas, magnetizados por ofertas alucinantes... muitos ambientes familiares se esvaziam, perdem a dimensão da interioridade, afastam-se do horizonte de sentido e... se desumanizam. Tudo se torna líquido:  o amor, as relações, os valores, a ética, as grandes causas...

Longe de um ambiente humano dinâmico, operante, ousado, solidário..., o que elas deixam transparecer é, pelo contrário, um ambiente humano neutro, apático, estagnado.

 

Inspirando-se em Maria e José, pais e mães convertem-se em fonte de vida nova; e a sua missão mais apaixonante é aquela de poder dar uma profundidade e um horizonte novo aos seus filhos; sabem integrar“vida em Nazaré” (espaço de interioridade) e “presença em Jerusalém” (vida expansiva, aberta ao novo e ao diferente).

“O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria”esta expressão sugere a atitude básica dos pais e mães:cuidar a vida frágil de quem começa o seu percurso neste mundo. Como seguidores(as) de Jesus e com sua presença humanizadora, eles(elas) são promotores(as) de habilidades na vida de seus filhos: “dão asas” e despertam neles as potencialidades do humanopresentes em cada um, levando-os a experimentar condições ousadas de crescimento e realização; na convivência cotidiana, interagem com eles e conseguem extrair deles o melhor, fomentam o papel ativo deles, incentivam-os a desenvolver sua autonomia e dar asas à sua imaginação.

O ambiente familiar, sadio e instigante, torna os filhos conscientes de que são seres em movimento, protagonistas de mudanças, capazes de criar novos modos de existir, de romper com o instituído e buscar o diferente, o novo, o desconhecido... A família é o espaço das inovações, dos riscos, dos experimentos... Nela se encontra o lugar dos sonhos, dos desejos, da liberdade e autonomia.

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Texto bíblico:  Lc 2,22-40

 

Na oração: A exortação apostólica “amoris

Laetitia”, do Papa Francisco,  inspira os casais cristãos a que se convertam em pontes, ponham suas energias, sua forma-ção, dedicação, sua vida a serviço de criar, alimentar e sustentar os laços humanos, rela-ções sociais, estruturas políticas e econômicas que tornem possível a solidariedade entre todos os seres humanos e aponte para um mundo fraterno e justo. A vocação para estender pon-tes, superandofronteiras, é algo crucial para o mundo de hoje.

Seu ambiente familiar: risco da aventura ou medo asfixiante? Contínua surpresa ou perene rotina?  Espaço de liberdade ou vivências dentro de bolhas asfixiantes e muros de protecção?

 

 

 

 

 

 

 

ANO NOVOonde encontrar a novidade?

 

“Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido” (Lc 2,20)

 

A celebração do “Ano novo”, prática vivida em todas as culturas e religiões, parece responder a um desejo humano de “começar de novo”.

“O homem foi criado para que no mundo houvesse um começo”Este pensamento de S. Agostinho deveria iluminar nossa vida ao longo deste novo ano que se inicia.

Desde que o ser humano surgiu da terra e sobre a terra, o mundo criado ganhou um “novo início”.

Nós o estamos reconstruindo incessantemente. “O ser humano é criado e é criativo”;pois é exatamente o dom de re-começar, sempre, que nos caracteriza como humanos.

Caminhamos hoje para algo novo; somos convocados pelo futuro a realizar projetos diferentes, possibilidades novas, “coisas” que nos acenam lá de longe e nos fazem uma proposta: “re-criem-nos”;  coisas que surgem sob a forma  de um desejo, de uma esperança... mas que sempre dependem de nós para se tornarem concretas. Elas exigem empenho, dedicação e criatividade.

 

Habita em nosso interior uma nostalgia de alguma coisa mais original, de um novo início e da tentativa de outros caminhos. Trata-se de uma aspiração de algo mais humilde e simples, que nasce do “húmus”, da terra que somos. É o desejo de sermos nós mesmos simplesmente, sinceramente, prazerosamente.

É a necessidade de viver re-começando, sempre.

A atitude do “recomeçar contínuo” revela-se como oportunidade para ativar outros recursos internos e colocar a vida em outro movimento, mais inspirado e criativo.

É inevitável que na existência humana se façam presentes a dor, o cansaço, a frustração, a repetição mecânica..., que ameaçam afogar as melhores expectativas. Frente a essa constatação, compreende-se a voz que brota das nossas entranhas e diz: “comecemos de novo”. A celebração do “ano novo”, neste sentido, significa a oferta de uma nova oportunidade à vida, para que ela tenha um novo sentido.

Somos impulsionados, continuamente, a romper com o formalismo e o convencional, a vida marcada pela ordem, normas claras e recompensas seguras... e caminhar para uma vida mais audaz e incerta, de hori-zontes amplos, de exigências que nos convidam a “começar de novo”, de significado mais universal.

Não caminhamos empurrados pelas costas, nem nossa vida é obra da inércia. Fomos feitos para o “mais”.

 

Ver a novidade em uma simples mudança de datas do calendário não passa de uma mera convenção. O 01 de janeiro não é mais “novo” que o 31 de dezembro. E, depois do rito de “passagem de ano”, tudo continuará sendo como era ontem, ou inclusive pior, porque, a ressaca da celebração será acompanhada pela frustração de comprovar que nada mudou.

É óbvio que a novidade não é “algo” que possamos encontrar “fora” para ser incorporada à nossa existência cotidiana. O máximo que podemos encontrar nesse nível são aparências de novidade que, satisfazendo por um momento nossa curiosidade, rapidamente nos farão voltar ao ritmo da rotina.

O “novo” está dentro de nós. Estamos no tempo para crescer na consciência de nosso verdadeiro ser e descobrir que estamos já na eternidade, que nosso verdadeiro ser não está no “kronos” mas no “kairós” (tempo de plenitude e de sentido). Nosso verdadeiro ser é constituído pelo divino que há em nós, e isso é eterno, é sempre novo. Somos já a plenitude e estamos no eterno.

 

Nesse sentido, novidade é sinônimo de viçoso, abertura, presença, vida; a vida sempre é nova, e vai acompanhada de atitudes e sentimentos de surpresa, admiração, louvor, gratidão, comunhão e plenitude.

“E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam” (Lc 2,18).

Seria um crime transformar a vida num velódromo, dando voltas sempre em torno ao mesmo circuito de 365 dias, sem avançar nada.

Vida expansiva, projetada para todas as direções e sintonizada com as surpresas, grandes e pequenas, que a plenificam e lhe dão um sentido de eternidade.“A vida é demasiado breve para ser mesquinha” (Disraeli).

Tudo isto é o que, saibamos ou não, nosso coração aspira. Mas, habitualmente, o buscamos onde não pode encontrar-se. Os pastores, movidos por uma sensibilidade especial, foram capazes de encontrar onde ninguém pensaria encontrar:

 

Este ano será novo se aprendermos a crer na vida de maneira nova e mais confiada, se encontrarmos gestos novos e mais amáveis para conviver com os outros, se despertarmos em nosso coração uma compaixão nova para com aqueles que sofrem.

Quem sabe, o Evangelho de hoje nos possa inspirar para que, algum dia, aprendamos a viver cada mo-mento como se fosse o último, ou melhor, o mais completo, o mais ditoso: a melhor oportunidade para uma presença inspiradora, para o abraço mais acolhedor, para a palavra melhor pronunciada ou o silêncio mais criativo, para o gesto solidário mais espontâneo... É como se cada momento fosse sagrado e eterno.

O cristão é aquele que, como os pastores de Belém, conserva límpido os seus olhos interiores, prontos para perceber a maravilha que está sendo germinada em sua vida. Movido por um olhar novo, ele acolhe a surpresa de Deus, passa a ser surpresa para os outros, com seu gesto de amor imprevisto, com sua palavra que reanima, com sua visita que consola, com sua atenção para com todos os que levam uma vida obscura e monótona.

 

msoB9131“Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido”. Qual foi o novo e o surpreendente que encontraram: um recém-nascido deitado na manjedoura. Trata-se do “no-vo” despojado de ornamentos, de poder, de riquezas. Tiveram olhos e ouvidos abertos para se deixarem impactar pela imagem, humanamente simples; o encontro com o “Deus que se humanizou” possibilitou o retorno à eterna infância, escondida na própria interi-oridade.

Porque descobriram facilmente o Infinito, passaram a viver humildemente sua condição humana na paz, na alegria e na gratidão.

 

Texto bíblico:  Lc 2,16-21

 

Na oração: A partir do “olhar” admirado dos pastores, iniciar, ao longo deste ano, um processo minucioso de

extirpação das “cataratas” do seu olhar interior: o olhar das lembranças negativas, das suspeitas, dos julgamentos, das comparações... e reacender o olhar contemplativo capaz de expressar a benevolência, a delicadeza, a acolhida, a cortesia, a serenidade, a modéstia, a afabilidade, a alegria simples de estar junto...

- Re-cor-dar todos os “olhares amorosos” que Deus foi depositando sobre você ao longo da vida.

- Coração e olhos espreitam na mesma direção. São os puros de coração os que verão a Deus (Mt. 5,8).

 

 

 

 

 


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